Andar de metro é um privilégio – parte II

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Fazer o mesmo percurso todos os dias tem uma contrapartida engraçada. Repete-se o caminho, repetem-se as estações e, no meio da multidão ensardinhada no metro, repetem-se também as caras que, como eu, repetem o mesmo percurso, todos os dias.

Às vezes penso que no dia em que a minha rotina mudar – e vai mudar, naturalmente – nunca mais vou ver aquelas caras. Assim é, assim tem de ser, porque elas só fizeram sentido para mim ali, naquele espaço, naqueles dias, pela circunstância comum de partilharem o mesmo percurso que eu.

A ausência de relação entre mim e as pessoas do metro é a maior certeza deste texto. Mas o que falha em ligação sobra em espaço para imaginar. E agora, não consigo evitar um sorriso discreto de cada vez que vejo alguma destas caras, que, por simples repetição, se tornaram familiares para mim.

Pelo propósito lúdico de descrever aquilo que vejo e de registar instantes que de outra forma ficariam perdidos na minha memória, decidi fazer uma lista de quem mais encontro. A lista que se segue é referente a pessoas reais, mas a descrição de cada uma é absolutamente subjetiva. É baseada naquilo que observo e naquilo que me atrevo a magicar, nas minhas infinitas incursões pelo metro de Lisboa.

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