Uma arte aberta, em movimento

Três pessoas olham para uma parede de imagens sobrepostas, durante uma “Alternative Walking Tour”, em Brick Lane, Londres.

O guia explica-nos que é uma espécie de “arte aberta”, na qual vários artistas (muitos anónimos) vão deixando a sua marca com autocolantes, graffitis, etc. Uma tela aberta, imprevisível, em movimento, e cuja autenticidade, sugerem as palavras do guia, reside numa espécie de democracia de rua, na qual a parede é de todos mas, na verdade, não é de nenhum.

Continuamos a tour pela rua e, mais à frente, surgem alguns desenhos “de autor”. São imagens assinadas, em certos casos legalizadas, em paredes ou portões cedidos pelos próprios proprietários para uso do artista. Aqui, a ideologia anterior perde significado, porque a obra é única e a autoria também.

Apreendo o tom depreciativo do guia e o contraste que pretende estabelecer entre os dois cenários: de um lado, vemos a arte urbana na sua essência. Do outro, a arte urbana como que “corrompida pelo sistema”. Coletividade/Elitismo, Anonimato/Ego, Ousadia/Formalismo são alguns dos conceitos que, criticamente, contrapõe.

O seu discurso provoca-me, porque mais do que avaliar os desenhos, sinto que avalia valores. Comportamentos. Moral. Há um código de conduta latente – pleno de posturas políticas e rígido na sua aversão à rigidez – que sustenta cada observação que faz.

E embora não me reveja em tudo o que diz – não me parece nada evidente que toda a arte deva ser aberta, nem que a ausência de lei certifique o artista – não consigo ignorar uma ligeira poesia nas suas palavras. Afinal… Se a base moral não fosse tão forte, será que a mística da arte urbana seria a mesma?

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