Andar de metro é um privilégio

foto-metro-lisboa-intendente

Outro dia ia no metro a pensar… De segunda a sexta, o trajeto é o mesmo. Casa-metro-trabalho. Trabalho-metro-casa.

Não é uma queixa, é a constatação de um facto, e mesmo que não seja absolutamente verdade (é claro que a fórmula não é rígida), a tendência é o repetir da rotina.
Casa-metro-trabalho. Trabalho-metro-casa.

Da minha desordenada – e tão corriqueira! – divagação existencial, sucedeu-se uma conclusão divertida. Andar de metro é um privilégio.

Comecei a olhar as pessoas. As roupas. As expressões. Comecei a imaginar as idades. Os contextos. As relações. Percebi que o metro, que até então tendia a olhar com a indiferença de um robô, é o lugar onde diariamente mais me cruzo vidas. Não é espetacular?

Da rotina diária associada aos transportes públicos, que tão gratuitamente conotava com pessimismo, resulta a infinita possibilidade de sair de mim para olhar os outros…
É sim, espetacular! 

Continuei a divagar e a desordenar a cabeça um bocadinho mais ate que cheguei a uma segunda conclusão.Andar de metro é um privilégio, sim, mas acho que nem todos se deram conta disso.

Comecei a contar as cabeças e a procurar, com uma ânsia claramente desproporcional, por alguém que não olhasse para o smartphone. Poucos. Continuei a olhar e percebi que eu própria ainda não tinha largado o telefone das mãos!!! E foi então que tomei uma decisão meia estranha (espero sinceramente que não patológica), mas que a partir desse momento me comprometi a seguir.

Quando entrar no metro, o telemóvel fica na carteira. E desse momento em diante o telemóvel ficou na carteira.

Agora, há dias em que cruzo o olhar com uma senhora desconfiada e em que me divirto a imaginar que me acha esquisita! Outros, em que leio excertos sobre os assuntos mais inesperados nos livros de quem está ao meu lado.

Há dias em que uma cara sorridente me encontra ao acaso e eu sorrio de volta. Outras vezes em que uma imagem se destaca e quase me faz tirar uma fotografia. Depois lembro-me da minha regra.

É engraçado como a fórmula antiga se esgotou em si mesma. De segunda a sexta, o trajeto é o mesmo? Não, nunca mais foi o mesmo.

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